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Painting is silent poetry, and poetry is painting that speaks. Simonides

BARRÃO - Jorge Barrão












Barrão






Barrão (Rio de Janeiro, 1959). Vive e trabalha no Rio de Janeiro.

A obra de Barrão surge nos anos 1980 feita da apropriação inventiva de objetos cotidianos, do mundo do consumo, muitas vezes eletrodomésticos, como geladeiras, batedeiras e televisões. O artista inverte o sentido primeiro dos objetos, sempre com humor e ironia. Já fora da linha de uso, tais coisas passam então a ganhar uma outra vida, passível de ser imaginada, mas que o mundo do “funcionamento” não os permitia viver.

Tal procedimento persiste ao longo do tempo, como na recente série de esculturas/objetos feitos com louças coladas umas nas outras. Um ajuntamento imprevisível, feito de maneira mais ou menos aleatória. Barrão os leva para casa e os presenteia com uma nova e inesperada vida, a qual nós somos apresentados. O artista também faz parte do grupo Chelpa Ferro, junto com o artista Luiz Zerbini e o editor de imagens Sergio Mekler. Integrou o XXX Panorama da Arte Brasileira – Contraditório, 2007.








Os objetos acontecem por ai, ou estão lá ou ali já estavam; se destacam se rasgam do entorno se arrancam e rearrancam em contínuas mudanças, em transformações sucessivas. Ou não, ou então foram fabricados ou são fabricados porque não estavam, faziam falta. Quem os fabrica, inventa, os coloca aqui ou ali os agrega à incompleta coleção de coisas deste mundo. No jogo e na combinação de tantas coisas das mais diversas naturezas (mesmo as da natureza) e dos seus atributos aparece um mundo um tanto bagunçado, incompleto ainda e sempre fragmentado.

E assim seria não fossem exceções, pois é que há uns objetos decisivos e parece que neles nos podemos fiar.

Embora sabendo que foram feitos, colocados, parece sempre terem estado aqui ou talvez que nunca estiveram ali embora ali existam. Não foram achados, não os encontramos e mesmo perdidos se encontram achados.

Pois as peças de Barrão me parecem pertencer a esta categoria. Sei que parecem vasos, mas são antes de qualquer coisa, coisas decisivas.

Cada vaso é todos os vasos e aquele único, simultaneamente. São muitos e um ao mesmo tempo. Neles cada oco é o todo oco, cada abertura dá num oco, o todo e único cheio de aberturas.

Também nos fazem pensar muito, muito. Nos fazem pensar por uma via amiga. Neles a tragédia ri, o cômico é serio e não há os pomposos. São vasos mas tratam do abstrato também. Sugerem ter vindo no bojo do topológico e são portanto mutantes, elásticos e malháveis. O contrário deles pode ser o mesmo ou talvez um outro da série que se puxa por ali de dentro; conforme a ousados métodos de pensar, estas coisas do Barrão propõem soluções aos mais diversos e divertidos problemas.

Mesmo ao mais singular deles; o que é um vaso, o que é uma coisa? Barrão nos dá na forma de um vaso dentro – e fora – e nele, ao mesmo tempo, uma resposta.

Barrão é representado pela Galeria Laura Marsiaj



FONTE: Portal Cultura, Laura Marsiaj



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