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Painting is silent poetry, and poetry is painting that speaks. Simonides

Carnation Revolution - 39 years




As portas que Abril Abriu

Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais feliz
dos povos à beira-terra

Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza

Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raíz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado

Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinhiero estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos dos passado
se chamava esse país
Portugal suicidado

Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra

Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos

Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo

Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade

Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas tabém tinha a seu lado
muitos homens na prisão

Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão

Não tinham armas é certo
mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação

uma pistola guardada
nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte
faz com a que a força da vida
seja maior do que a morte

Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão

Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão

Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão

Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa

Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis

Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
- pode nascer um país
do ventre duma chaimite

Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue
- é a força revolucionária!

Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade

Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena

E então por vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
desceram homens sem medo
marujos soldados "páras"
que não queriam o degredo
de um povo que se separa.
E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam
a hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam

Em idas vindas esperas
encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras
arrancaram-se as mordaças
e o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração

Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma razão
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão

Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra

Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril
fez Portugal renascer

E em Lisboa capital
dos nosvos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis

Mesmo que tenha passado
às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
Saiu das vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
onde um povo se curvava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua prórpia pobreza

E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.

Essas portas que em Caxias
se escancararam de vez
essas janelas vazias
que se encheram outra vez
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez
que espreitavam como espias
todo o povo português.

Agora que já floriu
a esperança na nossa terra
as portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra.

Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo de mês de Junho.

Quando o povo desfilou
nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.

Mas era olhos as balas
abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.

E o grito que foi ouvido
tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.

Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.

E então operários mineiros
pescadores e ganhões
marçanos e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
souberam que o seu dinheiro
era presa dos patrões.

A seu lado também estavam
jornalistas que escreviam
actores que desbobravam
cientistas que aprendiam
poetas que estrebuchavam
cantores que não se vendiam
mas enquanto estes lutavam
é certo que não sentiam
a fome com que apertavam
os cintos dos que os ouviam.

Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.

E uns e outros irmanados
na mesma luta de ideias
ambos sectores explorados
ficaram partes iguais.

Entanto não descansavam
entre pragas e perjúrios
agulhas que se espetavam
silêncios boatos murmúrios
risinhos que se calavam
palácios contra tugúrios
fortunas que levantavam
promessas de maus augúrios
os que em vida se enterravam
por serem falsos e espúrios
maiorais da minoria
que diziam silenciosa
e que em silêncio faziam
a coisa mais horrorosa:
minar como um sinapismo
e com ordenados régios
o alvor do socialismo
e o fim dos privilégios.

Foi então se bem vos lembro
que sucedeu a vindima
quando pisámos Setembro
a verdade veio acima.

E foi um mosto tão forte
que sabia tanto a Abril
que nem o medo da morte
nos fez voltar ao redil.

Ali ficámos de pé
juntos soldados e povo
para mostrarmos como é
que se faz um país novo.

Ali dissemos não passa!
E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça
odeia a quem desgraçou.

Foi a força do Outono
mais forte que a Primavera
que trouxe os homens sem dono
de que o povo estava à espera.

Foi a força dos mineiros
pescadores e ganhões
operários e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
que deu o poder cimeiro
a quem não queria patrões.

Desde esse dia em que todos
nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos
- cumpriu-se a revolução.

Porém em quintas vivendas
palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabrões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os genarais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.
Com generais desta apanha
já não há revoluções.

Por isso o onze de Março
foi um baile de Tartufos
uma alternância de terços
entre ricaços e bufos.

E tivemos de pagar
com o sangue de um soldado
o preço de já não estar
Portugal suicidado.

Fugiram como cobardes
e para terras de Espanha
os que faziam alardes
dos combates em campanha.

E aqui ficaram de pé
capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
apenderam Portugal.

Os tais homens que sentiram
que um animal racional
opões àqueles que o firam
consciência nacional.

Os tais homens que souberam
fazer a revolução
porque na guerra entenderam
o que era a libertação.

Os que viram claramente
e com os cinco sentidos
morrer tanta tanta gente
que todos ficaram vivos.

Os tais homens feitos de aço
temperado com a tristeza
que envolveram num abraço
toda a história portuguesa.

Essa história tão bonita
e depois tão maltratada
por quem herdou a desdita
da história colonizada.

Dai ao povo o que é do povo
pois o mar não tem patrões.
- Não havia estado novo
nos poemas de Camões!

Havia sim a lonjura
e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.

Foi este lado da história
que os capitães descobriram
que ficará na memória
das naus que de Abril partiram
das naves que transportaram
o nosso abraço profundo
aos povos que agora deram
novos países ao mundo.

Por saberem como é
ficaram de pedra e cal
capitães que na Guiné
descobriram Portugal.

Em em sua pátria fizeram
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalhos crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
de um país que vai nascer.

Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser

pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.

No Minho com pés de linho
no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho
na Beira com requeijão
e trocando agora as voltas
ao vira da produção
no Alentejo bolotas
no Algarve maçapão
vindimas no Alto Douro
tomates em Azeitão
azeite da cor do ouro
que é verde ao pédo Fundão
e fica amarelo puro
nos campos do Baleizão.
Quando a terra for do povo
o povo deita-lhe a mão!

É isto a reforma agrária
em sua própria expressão:
a maneira mais primária
de que nós temos um quinhão
da semente proletária
da nossa revolução.

Quem a fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua prórpia grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viesses ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.

Na frente de todos nós
povro soberano e total
e ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.

Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisa em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!

José Carlos Ary dos Santos

Ray Hare











Ray Hare



Realism takes on new dimension through the eyes of artist Ray Hare. Rays paintings are photo realism but his art goes beyond realistic likeness. In his work the larger than life close-ups are depicted with all their infinite color and details. It is as if he held a magnifying glass up to his subject and painted what he saw. What Hare captures as a result is a new reality. His unique vision through enlarged images and illusions is shared through paintings that grasp the essence of his subjects. The emotional impact of each painting confronts and challenges us to view reality with renewed emotion. He incorporates conceptual studies with practical mastery of fine art,testing each image and medium to its limit. The subjects seem so real we believe we can reach out and touch them.

Native Californian Ray Hare has expressed himself through art at an early age. In high school he won numerous state and national competitions. He received a full scholarship to California College of Arts and Crafts where he earned a Bachelor of Fine Arts with High Distinction. Ray then went to San Francisco State University to receive his Masters of Fine Art.

Ray Hare is based in Orange County, California where he and his wife Susan raised their three children. His art has been shown in numerous museums including San Francisco Museum of Modern Art, DeYoung Museum, Oakland Museum, Crocker Kingsley Art Museum and the Los Angeles Art Institute. Many prominent corporations and institutions have added his work to their collections. He was commissioned by ABC to paint a portrait of Oprah Winfrey for her private collection. Commissioned by NBC to paint a portrait of Elizabeth Taylor for her private collection and by Fox Network to paint a portrait of Ray Charles for he and his son Ray Charles Jr's private
collection. Ray is in numerous private collections through out the United States and Europe.


















H Momo Zhou










H Momo Zhou


Born in Guangzhou, China, H. Momo Zhou has followed in her family footsteps of creating fine artistic works. Her parents, highly respected professors of fine arts at the prestigious Guangzhou University of Art, China, nurtured Momo’s unique gift of spatial awareness of color, juxtaposition of line & form, and a broad brush stroke of creativity. Her images embody the quintessential  nuances of romanticism, realism and impressionism.

Exhibitions
2010    Special Group Portrait      Academy of Art San Francisco, CA
2010    Salon International           Green House Gallery San Francisco, CA
2012    Bold Brush Competition     San Francisco, CA
2012    Lady Film Maker               San Francisco, CA
2012   Writer’s Guild of America  San Francisco, CA

Education
Guangzhou University, China
Academy of Art San Francisco, CA
Portrait Society of America

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Jennifer Welty








Jennifer R Welty


Award winning portrait artist, Jennifer Welty, has become one of America’s most sought after portrait artists. In 2005, she was the only female finalist out of 10 selected to exhibit in Washington D.C. in the International Competition sponsored by the Portrait Society of America. She has been recognized 5 times by the Portrait Society of America, twice selected a top-ten finalist, as well as receiving Honorable Mention, Certificate of Merit, Certificate of Excellence and Best Portfolio awards. She was a two-time finalist winner in the Artist Magazine, and her work has appeared in International Artist Magazine, American Artist Magazine, and Folio Magazine. In 2009,she was nominated and accepted into the 2009 3oth Edition of Who's Who Among American Artists. Notable commissions have been Julie Inkster, LPGA Golf Hall of Fame Recipient;Tony Holbrook, CEO of Advanced Micro Devices; Roy Nichols, of Huntsville's Business Hall of Fame; Maria Bartiromo, Wall Street Managing Editor; M. Dyrdahl, Adobe CFO, and the founders of Intuit.







Lynn Sanguedolce









Lynn Sanguedolce



Lynn was recently honored by being selected, for the second consecutive year, as a Finalist in the Portrait Society of America’s International Portrait Competition.  She is also serves on the Faculty of the Portrait Society of America Conference held in Atlanta this year.  In 2012, her painting “Tom Poynor in the Studio” received one of the very top awards - First Honor. Lynn was also selected as a Finalist in the ARC International Salon 2012 for her portrait “Tom Poynor”, which is a head-study of the same subject. This painting was awarded with an “Award of Excellence” at the Salon International 2012 as well.

Lynn’s educational background began as a child as she born into a family of artists.  Her father was a professional Fine Artist, an art teacher and a member of the United Scenic Artist Union and her mother graduated from the Cooper Union School in New York City. Lynn’s own formal art education began when she was invited as an entry-level student, but by special permission, was accelerated to study with 4th year students, at the School of Visual Arts in New York City.  Following that Lynn studied at the Ridgewood Art Institute, N.J., The Art League of Alexandria, VA, and the California Art Institute in Westlake Village, CA, where she later became an instructor.  She furthered her development alongside many contemporary artists through workshops, classes and private study.

Lynn's professional career began in the 1980’s, painting watercolor illustrations for Reader’s Digest magazine.  As the world of editorial illustration began to undergo changes, she segued into fine art, selling her work through galleries around the country. The inspiration for Lynn’s work stems from her appreciation of the beauty of nature, love of art history and passion for painting. She enjoys depicting a broad range of subject matter, from landscapes to figures, but currently finds painting people both the most challenging and rewarding to her as an artist.  It has been through over 30 years of observing nature, studying and practicing drawing and painting, that she has found her voice.  A professional artist for over thirty years, Lynn’s work may be found in collections throughout the United States and abroad.


Lynn has been represented by prestigious galleries across the country.  A professional artist for over thirty years, her work may be found in collections throughout the United States and abroad.  Lynn currently resides in the San Francisco East Bay area.








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